Os varejistas precisam se transformar: da rigidez do planejamento à flexibilidade das minitemporadas.

Por que os varejistas devem substituir o planejamento rígido por uma flexibilidade sazonal precisa? Descubra como isso garante uma resposta rápida às mudanças nas demandas do mercado.

As coisas mais importantes que você precisa saber

  • O planejamento rígido de seis meses causa uma defasagem estrutural entre as mudanças na demanda e a capacidade das empresas de responder, custando ao setor varejista global mais de US$ 1.7 trilhão anualmente em descontos e desperdício de estoque.
  • A transição para uma abordagem flexível, com minitemporadas, exige uma infraestrutura de dados que suporte visibilidade em tempo real das vendas e do estoque, previsões vinculadas a fatores externos e a capacidade de executar rapidamente novos pedidos ou redistribuições de estoque.
  • Os varejistas precisam migrar de um planejamento estático para um modelo de negócios dinâmico, constantemente questionado e posto em prática, que aprimore a gestão de estoque e aumente as vendas e a lucratividade.
A onda de calor inesperada que atingiu o Reino Unido e a Europa neste verão pegou os varejistas completamente desprevenidos.

Entre em qualquer loja da Oxford Street, em Londres, esta semana, e encontrará resquícios da última liquidação de verão, enquanto as prateleiras dedicadas às "novidades" exibem ternos marrom-chocolate, perfeitos para o outono.

O problema é que a temperatura ainda está em 28 graus Celsius e o sol brilha, com outra onda de calor prevista para esta semana. Os consumidores não estão procurando por suéteres de lã, mas as prateleiras estão repletas de mercadorias que já haviam sido previstas há seis meses, o que significa que muitos varejistas não perceberam a mudança repentina na demanda do consumidor.

Os varejistas precisam se transformar: da rigidez do planejamento à flexibilidade das minitemporadas.
É difícil não sentir essa desconexão. Em janeiro passado, uma equipe de planejamento se reuniu em uma sala de conferências e decidiu, com base nas melhores informações disponíveis na época, que o país estaria pronto para comprar roupas de lã no início de agosto.

É um processo que os varejistas utilizam há décadas, e o problema não é que eles tenham planejado com antecedência ou cometido um erro, mas sim que a infraestrutura por trás da decisão não possui um mecanismo para corrigir o rumo quando novas informações chegam.

Isso não é uma falha de previsão. É uma falha da tecnologia e dos processos, uma falha que se tornou impossível de ignorar.

Cursos de planejamento semestral já não são eficazes.

A onda de calor é apenas um exemplo que ilustra por que os rígidos ciclos de planejamento de seis meses no setor varejista não são mais comercialmente viáveis. Esses ciclos foram concebidos para uma era estável e previsível, que pressupunha cadeias de suprimentos consistentes, estações do ano definidas e consumidores aguardando pacientemente o momento "certo" para comprar. Esse mundo simplesmente não existe hoje.

As cadeias de suprimentos globais tornaram-se frágeis e vulneráveis ​​a interrupções a qualquer momento, enquanto padrões climáticos instáveis ​​podem alterar as condições comerciais da noite para o dia, e a demanda do consumidor é moldada tanto por uma tendência do TikTok que surge numa terça-feira quanto por uma estação do ano no calendário. Isso fez com que os varejistas tentassem gerenciar um negócio que exige flexibilidade em um sistema operacional projetado para um ritmo muito mais lento.

O resultado é essa desconexão que vemos hoje no chão de loja. Tendo trabalhado no setor varejista por mais de 20 anos, sei muito bem que a maioria dos sistemas de planejamento ainda se baseia em relatórios estáticos, planilhas desconectadas e processos manuais de configuração que levam semanas (e às vezes meses) para serem concluídos.

Isso cria uma defasagem estrutural entre as mudanças na demanda e a capacidade das empresas de responderem. Essa defasagem está se tornando rapidamente o principal fator de cortes, escassez de estoque e desperdício de estoque, que custam ao setor varejista global mais de US$ 1.7 trilhão anualmente, segundo analistas do IHL Group.

Repensando o plano

Para mim, está claro que os varejistas que buscam crescimento precisam repensar a forma como realizam o planejamento, as compras e o marketing.

Começa com o abandono dos ciclos rígidos de compras semestrais baseados em sistemas obsoletos e a transição para uma infraestrutura de dados que suporte o planejamento por microtemporada. Esses períodos são mais curtos e frequentes, e as decisões sobre o que comprar, quando repor o estoque e como promover os produtos na loja são tomadas continuamente e com base em dados atuais, em vez de serem predeterminadas com meses de antecedência com base em previsões emitidas meses atrás.

Na prática, isso significa implementar algumas funcionalidades básicas, sendo a primeira delas a visibilidade de dados em tempo real, que permite às equipes visualizar vendas, localização de estoque e importações ao vivo, no nível de SKU, em vez de depender de um relatório que chega na segunda-feira seguinte descrevendo o que realmente aconteceu.

A segunda abordagem é a previsão mais correlacionada, em que os modelos de demanda podem analisar fatores externos, como ondas de calor, eventos locais ou tendências nas redes sociais, como um sinal de negócios, em vez de uma anomalia detectada no ponto de venda.

Isso nos leva à terceira capacidade: execução mais rápida assim que uma mudança na demanda for identificada. O sistema deve suportar a tomada de decisões e ações rápidas, seja para reabastecimento automático, redistribuição de estoque entre lojas e canais ou alteração de estratégias de marketing online e em lojas físicas.

Preservando um modelo vivo

Nada disso substitui uma estratégia de longo prazo. Os varejistas ainda precisam de um plano financeiro, uma estrutura de produtos e uma visão clara. O que está mudando é a forma como isso é feito na prática. O planejamento está deixando de ser uma questão de produzir um documento estático duas vezes por ano e passando a ser uma prática de manter um modelo de negócios dinâmico, que possa ser continuamente questionado e aprimorado.

Isso representa uma exigência técnica fundamentalmente diferente daquela para a qual a maioria dos sistemas legados de planejamento e marketing foram projetados, razão pela qual muitos varejistas ainda estão reagindo às mudanças na demanda semanas após sofrerem perdas nas vendas.

Para os líderes do varejo, a principal lição prática é começar a analisar criteriosamente onde as decisões de planejamento e marketing são tomadas e quanto tempo leva para traduzir um sinal do mundo real — como uma onda de calor, falta de estoque ou um produto que viraliza — em uma mudança na loja física ou no site. Se essa lacuna for medida em semanas em vez de dias, a limitação não está na sua equipe, mas na infraestrutura em que ela opera.

Esta onda de calor é apenas um exemplo visível de uma transformação tecnológica e operacional muito mais ampla que os varejistas precisam empreender. As empresas que a encararem como um catalisador para a modernização, em vez de um evento climático passageiro, serão as que se mostrarão mais resilientes comercialmente na próxima vez em que as condições mudarem repentinamente.

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Este artigo foi produzido como parte do TechRadar Pro Perspectives , nosso canal que apresenta as mentes mais brilhantes e talentosas da indústria de tecnologia atual.

As opiniões expressas aqui são do autor e não refletem necessariamente as opiniões da TechRadarPro ou da Future plc. Se você tiver interesse em contribuir, saiba mais aqui: https://www.techradar.com/pro/perspectives-how-to-submit

Por que os varejistas deveriam substituir o planejamento rígido pela flexibilidade das minitemporadas?

O mundo do varejo está passando por transformações rápidas e sem precedentes, com as preferências do consumidor e as tendências de mercado mudando em ritmo acelerado. Nesse cenário em constante evolução, o planejamento tradicional de longo prazo já não é suficiente para o sucesso. Os varejistas precisam adotar uma abordagem mais ágil e responsiva, conhecida como agilidade de microtemporada, para se manterem à frente da concorrência e atenderem com eficácia às demandas de um mercado em constante mudança.

Desafios impostos pelo planejamento tradicional rígido

O setor varejista sempre se baseou em planos anuais ou semestrais, mas essa abordagem rígida enfrenta desafios significativos atualmente:

Incapacidade de adaptação a mudanças rápidas

Os mercados modernos são voláteis; o que é popular hoje pode estar ultrapassado amanhã. O planejamento rígido impede que as empresas respondam rapidamente a novas tendências, mudanças repentinas no comportamento do consumidor ou mesmo eventos globais imprevistos, levando à perda de oportunidades.

Problemas e custos de estoque

Um planejamento inflexível frequentemente leva a problemas de gestão de estoque. As lojas acabam acumulando grandes quantidades de produtos impopulares (estoque parado), aumentando os custos de armazenamento e reduzindo a lucratividade, ou sofrem com a falta de produtos muito procurados, perdendo vendas potenciais e prejudicando sua reputação.

Oportunidades de vendas perdidas

Em um ambiente em constante transformação, novas oportunidades de vendas surgem continuamente, sejam elas relacionadas a temporadas festivas curtas, eventos culturais ou até mesmo tendências passageiras nas redes sociais. O planejamento rígido impede que os varejistas aproveitem essas oportunidades de forma eficaz, deixando-os para trás em relação a concorrentes mais ágeis.

Qual a flexibilidade das minitemporadas?

A flexibilidade das minitemporadas é uma estratégia que envolve dividir os ciclos de planejamento e execução em períodos muito mais curtos, geralmente semanas ou alguns meses, em vez dos longos períodos tradicionais. Essa abordagem permite que os varejistas sejam mais ágeis e precisos em suas decisões.

  • Resposta rápida aos dados: Essa flexibilidade depende da coleta e análise de dados em tempo real para entender rapidamente as preferências dos clientes e as tendências emergentes.
  • Cursos breves de planejamento e implementação: Em vez de se comprometer com um plano único para o ano todo, são desenvolvidos planos de curto prazo que podem ser continuamente modificados e adaptados.
  • Foco nos clientes e nas tendências emergentes: Essa abordagem coloca o cliente no centro de todas as decisões, com um acompanhamento rigoroso das tendências para fornecer os produtos e serviços certos no momento certo.

Benefícios da adoção da flexibilidade de minitemporadas para os varejistas

Os benefícios da adoção dessa abordagem não se limitam à mera adaptação, mas incluem melhorias substanciais no desempenho geral:

Melhore a gestão de estoque e reduza o desperdício

Ao planejar ciclos mais curtos, os varejistas podem encomendar quantidades de estoque mais precisas, reduzindo o risco de acúmulo indesejado de produtos e diminuindo significativamente os custos de armazenamento e o desperdício.

Aumentar a satisfação e a fidelização do cliente

Quando as lojas conseguem entregar os produtos que os clientes desejam em tempo hábil, isso melhora a experiência e a satisfação deles, o que leva a uma maior fidelização e compras repetidas.

Aumente as vendas e a lucratividade

A flexibilidade permite que os varejistas aproveitem todas as oportunidades de venda, sejam elas relacionadas a um evento sazonal ou a uma tendência repentina, resultando em aumento de receita e melhoria das margens de lucro.

A capacidade de se adaptar às tendências em constante mudança.

A flexibilidade das minitemporadas permite que as lojas se adaptem rapidamente, experimentem novos produtos e ajustem as estratégias de marketing para acompanhar as últimas tendências sem precisar alterar os planos de longo prazo.

Passos para implementar a flexibilidade das minitemporadas

A transição para minitemporadas flexíveis exige mudanças estratégicas e operacionais:

Aproveitando a análise de dados e a inteligência artificial.

A utilização de dados e análises é fundamental para compreender o comportamento do consumidor e prever tendências. As ferramentas de inteligência artificial podem fornecer informações valiosas que auxiliam na tomada de decisões rápidas e bem fundamentadas. Para garantir o máximo aproveitamento dos seus dados , eles devem ser organizados e armazenados de forma a permitir fácil acesso e análise.

Construindo cadeias de suprimentos resilientes

Os varejistas precisam trabalhar com fornecedores que possam responder rapidamente às mudanças na demanda, reduzir os prazos de entrega e oferecer opções de frete flexíveis para atender aos ciclos curtos.

Capacitar equipes de trabalho e descentralizar a tomada de decisões.

Uma abordagem flexível exige que as equipes tenham mais autonomia para tomar decisões rápidas nos níveis operacionais, em vez de esperar pela aprovação da alta administração.

Adotar tecnologia moderna

Investir em sistemas de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP), sistemas de Gestão de Relacionamento com o Cliente (CRM) e ferramentas de previsão de demanda com inteligência artificial , que podem dar suporte a operações rápidas e fornecer insights imediatos.

Conclusão

A flexibilidade de temporadas mais curtas deixou de ser apenas uma opção para os varejistas e se tornou uma necessidade para a sobrevivência e o sucesso em um mercado em constante evolução. Ao abandonar o planejamento rígido e adotar uma abordagem mais ágil e baseada em dados, as lojas podem melhorar a eficiência, aumentar a satisfação do cliente e alcançar um crescimento sustentável no futuro.

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